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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


A origem da palavra NKISI.

Publicado por Muana Damba activado 9 Agosto 2011, 08:24am

Etiquetas: #Usos e costumes da Damba

 

Se perguntar a todos povos que habitam a bacia hidrográfica do grande rio Nzadi (Zaíre) a Kongo, NKISI (lê-se NKISSI), a resposta será sem dúvida: Feitiço. Na Damba, o kikongo que se fala, com sotaques diferentes duma região à outra, a palavra NKISI tem o mesmo siginficado. Do Kinsoso, o sotaque da Damba que se fala de Kinsakala, Lujanda, Cazumbi, até todo território que compõe a actual comuna do Nsosso (ex 31 de Janeiro), incluindo Nkayindo; do Kisikongo, o sotaque falado no Wando até no Nkuso a Mpete, semelhante o que se fala em Mbanza Kongo (Ex-São Salvador), donde a designação Kisansala e do Kizombo falado no Nkama Ntambu, a resposta será a mesma, sem hesitação.

 

É comum ouvir falar no Kinsoso: Muntu wele bunda e nkisi ou no kizombo Muntu wele wanga Nkisi. No dia de hoje, a palavra Nkisi é assimilada a tudo que é obscuro, de origem misteriosa, que provoca fenômenos inesplicáveis. Os terapeutas tradicionais são considerados como Nganga Nkisi, os que curam doenças mas que não podem justificar cientìficamente. Estes homens podem enriquecer uma pessoa como também a tornar pobre, num dia ao outro, ou ainda provocar diversas pragas, etc. Lembo-me quando éramos jovens na Damba, antes de jogar qualquer partida de futebol, tínhamos hábitos de recorrer aos serviços do Nganga Nkisi, para fabricar o resultado do encontro desportivo a nosso favor, dava-nos algo para meter num dos cantos da baliza, para evitar que o golo entrasse. Mesmo para conquistar o coração de uma rapariga para namorar, o nosso Nganga Nkisi do Nkikossi, Masiya "Proto", oferecia um frasco contendo um perfume, que deviamos vaporizar nas mãos, depois de cumprimentar com elas a pretendida, o amor era garantido! O maluco Kavungo do Kinsakala, enlouqueceu, por não respeitar as interdições do fabricador do Nkisi. Em certos momentos, o facto de pronunciar esta palavra, as pessoas ficam terrorizadas.

 

 

Será que na história do Reino do Kongo, sempre foi assim? Não, responde o Doutor josé Carlos de Oliveira,(Doutorado pela Universidade de Coimbra)  autor do Os Zombos na Tradição, na Colónia e na Independência (9)  especialista da história do Kongo e da região do Zombo em particular. Para o ilustre antropólogo, são os missionários católicos e protestantes que são responsáveis pela transformação do termo religioso NKISI referente à cultura tradicional Kongo. Na origem, a palavra, pronunciava-se como NKI NSI, o que significa na linguagem local,  O QUE PERTENCE À NSI,(no sentido da nação)ou o que Pertence a terra, no sentido do CHÃO SAGRADO, neste caso o NKI NSI, era a religião da terra do Kongo, uma das profetas desta religião chamava-se Mafuta, a que KIMPA VITA "Ndona Beatriz", herdou os poderes .

 

Ao converter muitos aristocratas bakongos à religião cristã, os novos crentes foram obrigados, pelos missionários, a abandonar a religião dos seus antepassados, a do chão sagrado, NKI NSI, considerada feitiço. Este termo é muito complexo, necessita de muita ponderação e reflexão.

 

Os padres missionários católicos e protestantes diziam LUYAMBULA NKISI (no kikongo dos padres) PORQUE É KINDOKI. É assim NKI NSI deixou de ser relacionada com a religião para ser feitiço.

 

O desenvolvimento do termo Nkisi ocupa pelo menos, geogràficamente, a área que vai do rio Zaire ou Kongo até ao rio Níger, ao norte.

 

O Dr José Carlos de Oliveira tem razão, de mesmo modo penso na palavra Mpungu, os nossos antepassados afimavam que, Deus em que rezavam, chama-se NZAMBI A MPUNGU. Para muitos, Mpungu em kikongo é sinónimo de NKISI, neste caso, o Deus que se rezava no antigo reino Kongo era Deus de feitiço, quer dizer o diabo?

 

   P8020780.JPG

                     O Professor Doutor José Carlos de Oliveira na sua Biblioteca. 

 

 

 

                                                                                                    Muana Damba.

 

 


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