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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


A organização tripartite da sociedade Kongo

Publicado por Muana Damba activado 4 Febrero 2013, 04:57am

Etiquetas: #História do Reino do Kongo

 

 

Por Patrício Cipriano Mampuya Batsikama

  

Batsikama

 

 

 

Tal como se evidencia historicamente, a sociedade Kôngo parece estruturar-se em três linhagens: Nsaku, Mpânzu e lukeni (Makukwa matatu malâmb’e Kôngo). Cada uma destas dimensões governativas constitui uma linhagem, uma luvila, que do ponto de vista da organização social remete a Kinsaku, Kimpânzu e
Kilukeni.48 Eis as outras associações destas linhagens:

 

a) NZÎNGA, à qual estão associadas outras expressões linhagéticas, tais como Kilukeni, Kalûnga, Kibwênde, Kimbâmba, Kinânga, Kingôyo, Kinkânga, Kinkênge, Kiñzînga, Kikyângala, Kyânza, Mafuta, Makôngo, Madûngu, Manyânga, Mayâmba, Mahînga, Mbânda, Mbângala, Mbênza, Mbînda, Mpângala, Nkûnga, Yânga, etc.

b) NSAKU, à qual se associa designações linhagéticas como Kinsaku, Kikâmba, Kinkala, Kinsêmbo, Kyaka, Kiyidi (Kividi), Kwîmba, lêmba, lêmbe, lukuti, Makaba, Mandyangu, Mankunku, Masaki, Kyowa, Mfumvu, Mpêmba, M’vêmba, M’vîmba, M’vika, Matsânga, Musênge, Mwêla, Ndîngi, Ngîmbi, Nimi, Nkuwu, Ñlaza, Nsânga, Nsêmbo, Nsôngi, Nsûngu, Ntûmba, Nyati, Vit’a Nimi, Vûnda, Vuzi, etc.

c) MPÂNZU, à qual se associa outras designações, entre as quais busâmba, Kimbâmbi, Kimbêmbe, Kilwângu, Kinkosi, Kinkûmba, Kilômbo, Mawûngu (Mavûngu), Mangungu, Mbawuka, Mbîmbi, Mbom’a Ndôngo, Mbuma, Mfulama, Mfuti, Mfutila, Mpânda, Mpânga, Mpudi, Mpângu, Mpakasa, Mwângu,
Mwânza, Ndâmba, Ngola (Ngolo), Ngoma, Ngômbe, Ndôngo, Ñkênzi’a Ñzînga, Nsûndi, Ntâmbu, etc.

 

Parece que se atribui maior consideração aos territórios, tal como reza a Tradição Oral nas seguintes citações:

 

• 1ª: Ne Kyângala, nkwa mpu makumatatu zakôndwa tatu. Ne Kyângala quer dizer “Sua Majestade Rei do Kôngo”, cujo poder é expresso, tal como veremos, num jogo de trinta coroas menos três;


• 2ª: Kuna Kôngo-dya-Mpângala, [tûku dya] nzûndu mavwa matatu, isto é, no Kôngo-dya-Mpângala [a origem] é de nove vezes três bigornas;


• 3ª: Kôngo dina ñwângu mavwa matatu51, isto é, o Kôngo, reino cujo poder é constituído por nove vezes três argolas;

 

nsaku.jpga.jpg

 

• 4ª: Mbânda, Na Kôngo, wabandakana mavwa matatu ma ñlûnga vana Wêne wa Kôngo52: Mbânda, o soberano do Kôngo, (que) leva “ass nove vezes três argolas da Majestade do reino”.


Ora, as sub-regiões (distritos) e zonas (territórios) formam as bandas de terras consideradas como rectangulares, paralelas umas das outras, assim como as regiões (províncias), seguindo a
mesma circunscrição: a do Sul, com o nome de lukeni; a segunda e a terceira (do meio e do norte), tomando respectivamente os nomes de Nsaku e de Mpânzu (Fig. #1). Deve ser notado que a capital
(Ngânda, Mbânza, Kimbânza ou Kimbânda) de cada tríada devia obrigatoriamente se encontrar na circunscrição do meio.


Contudo, se cada região (províncias ou departamentos) contava ao todo nove zonas (territórios), administrativamente elas possuíam apenas sete, pelo facto de que a autoridade de cada região foi ao
mesmo tempo responsável por três zonas da sub-região do meio. Esta última circunscrição recebeu, por isso, o nome de Kim’vîmba, isto é, a sub-região que mantém a sua integridade (Fig. #2).


Muitos autores falaram da existência de sete circunscrições por província. Assim, o rei Ndo luvwâlu (Dom Álvaro I), isto é, Ñzîng’a Mpânzu IV (1578-1614), numa carta sua ao papa (datada de 20 Janeiro de 1583) falava entre outros assuntos «dos sete reinos de Kôngo-dya-Mulaza»53; segundo, Monsenhor A. le Roy, citando R. E. Dennet, relata que “o povo de loango ocupava sete províncias”54; terceiro, o Padre Jérôme de Montesarchio assinala que em 1666 “em Mbâmba cinco principais chefes revoltaram-se
e que apenas dois permaneciam féis”; quarto, o Padre Domingos Botelho, citado por bontinck, declara “ter visitado pessoalmente todos os sete reinos do Kôngo”.

 

nsakuii.jpga.jpg

Fig.#2 - As sete zonas administrativas duma região ou província (números árabes) e suas circunscrições políticas (números romanos).

 

Nestes exemplos são referidas não somente as regiões (províncias), mas também as sub-regiões (distritos) que tinham, cada um, sete circunscrições. É o caso de Mbâmba, tal como dissemos. quanto aos “sete reinos do Kôngo” do Padre botelho, tratar-se-ia aqui das sete zonas administrativas da parte central do Kôngo. Esta parte correspondia apenas a ¼ da totalidade territorial desse reino, tal como foi descrito por Pigafetta.

 

A administração Kôngo utilizava uma terminologia própria para designar as circunscrições. Assim, Kinkosi, para região ou província; Kimbuku, para Distrito; Kikayi, zona ou território; Kifuka ou Mumvuka, colectividade local (Comuna).

 

Extratos do Livro: A origem meridional do Reino do Kongo

 

 


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