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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


A biografia do Soba João Kituma de Kikumba-Lêmboa. (1)

Publicado por Nkemo Sabay activado 14 Junio 2011, 13:14pm

Etiquetas: #Fragmentos históricos da Damba

 

COORDENADOR DO SECTOR DO 1º CONGRESSO-BAK

 

Mini Biografia DO REGEDOR DOS REGEDORES

BRANQUIMA JOÃO KITUMA DE NKANDUNGO

 

BRANQUIMA JOAO KITUMA, também conhecido por KINZOLE ou Papa DIZÁ, nascido em Kicumba – Lemboa, aos 5 de Março de 1935, de profissão Cafeicultor, filho do Soba Nduka Kiyanzala conhecido por Nkandungo, e de Makaya ma Nkatama. viveu maritalmente com 8 mulheres, com as quais teve muitos filhos e filhas

 

Viveu desde a tenra idade como órfão com as mortes de sua mãe e posteriormente do seu Pai, o Soba Nkandungo. Para ganhar seu pão, Kituma  se dedicava no pequeno comercio uma ligação Kongo Belga e Angola passando clandestinamente às fronteiras de ambos os territórios.

 

Teve início a sua carreira política nos anos 50, na clandestinidade, onde prestou subsídios as organizações de nacionalistas que aderiram a ideia de libertar os territórios do antigo reino do Kongo sob jugo colonial e fez conhecimentos com alguns líderes dessas organizações como KUNZIKA e HOLDEN ROBERTO entre outros…NTO – ABAKO (Fonte de Associação do Baixo Kongo), PDA e UPNA ( União dos Povos Norte de Angola ) que viria, mais tarde, transformar-se em UPA ( União dos Povos de Angola).

 

 Dessas organizações, ele deu uma importante contribuição na mobilização das populações rurais, e nas colheitas clandestinas em apoio as organizações dos nacionalistas que preparavam o desencadear das acções libertadoras anti-colonial dos territórios do antigo reino do Kongo, nomeadamente o Kongo Belga (RDC ) e Kongo Português (Angola); objectivos atingidos com a realização de mesa redonda em Janeiro de 1960 na Bélgica a qual culminou com a independência da RDC em Junho do mesmo ano, e com o inicio da luta armada para a independência de Angola em 1961. Facto histórico para Damba, registou-se quando ao ataque a Vila a 19 de Abril de 1961, pelos nacionalistas sob comando de UPA do Holden Roberto, fundador da GRAE ( Governo Revolucionário de Angola no Exílio) que mais tarde se transformou em FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola).

 

Durante os anos de vida política na clandestinidade, kituma foi empregado da Fazenda agrícola de Café do senhor Fernando de Bragança, junto ao rio Kuilo, na localidade de Nkussu Madimba, onde depois de especialização passou a assumir o cargo de gerente.

 

Com toda inteligência na dimensão que transcende o nível de conhecimento dos seus formadores e do sistema colonial, Kituma introduz pela primeira vez a táctica de Contratados voluntários para a fazenda de que era capataz, facto que o tornou amado e famoso entre os proprietários de fazendas no Damba. Pelo o impacto positivo que produziu este novo sistema de recrutamento de mão de obras para as fazendas de Café, iniciativa pessoal de Kituma, foi mais tarde adoptado pelos colonos proprietários de fazendas em toda colónia.

 

A nova estratégia de recrutamento tinha vantagens acrescidas no valor que os fazendeiros pagavam a administração quando recebiam os contratados e a vontade dos contratados em trabalhar em liberdade em paz em relação aos contratados pelo o estado colonial.

 

Em 1955, Kituma entendeu visitar Kicumba-Lemboa, sob reinado do Soba Vambanu seu tio. Como este substituiu seu pai, a presença dele pareceu uma ameaça ao poder. Soba Vambanu levantou uma queixa contra ele, denunciando-o de que era terrorista em Angola ao serviço de Patrício Lumumba e Kasa-Vubu. Kituma foi conduzido pelo próprio Soba Vambanu à administração colonial onde foi regularmente sacudido com porretes e detidos. Esse assunto, apesar de merecer a atenção de PIDE-DGS, a intervenção dos proprietários de fazendas ajudou a sua libertação.

 

Não demorou muito tempo, Soba Vambano acusado de maus comportamentos contra o povo que dirigia, é substituído por alguém da aldeia Massinge. Mesmo com essa  mudança, o território de Kicumba-Lemboa continuou sempre em crise de liderança pela luta constante pelo  poder.

 

Para dar cobro a essa situação, Kituma, a partir de Nkusso Madimba, com o grupo de naturais de kicumba- Lemboa em serviço na Fazenda de Bragança  organiza a inteligência que visou sem outro interesse senão a retomada do poder deixado pelo seu Pai Pedro Nkandungo ou simplesmente Nduka Kiyanzala.

 

 

Em 1957, O então administrador de Damba foi surpreendido ao encontrar no interior do seu Gabinete, uma carta anónima, escrito num papel almaço, cujo investigação levada a cabo pela PIDE-DGS, não obstante as inteligências usadas não foram capazes de esclarecer a origem da mesma carta. Havendo uma forte crise de liderança no território de Nkandungo, Kituma foi chamado pela a administração, depois de consultar os sobas da região, a conduzir os destinos de Kicumba – Lemboa / Nkandungo, já na qualidade de SOBA.

 

Essa finalmente foi a escolha certa da administração colonial, a que foi vivamente aplaudida pelo povo em geral. A festa para o sua tomada de posse durou 15 dias e decorreu no local onde se encontra erguida a Igreja Evangélica Baptista de Angola IEBA, por na altura existir ali uma escola onde também Kituma fez seus estudos primários, na Aldeia Sala Kintete.

 

No dia 19 de Abril de 1961, no primeiro ataque dos nacionalista contra a Cidade de Damba , por desconhecer a senha (Os negros tinham de cortar as pernas de suas calças ou andar de calção) o Soba Kituma também considerado Mundele Ndombe (Evoluido) é capturado e cruelmente torturado até a agonia desde Kinsakala à missão Damba, onde a intervenção dos habitantes surgiu para o socorro a vida dele.

 

 Com os ferimentos em toda parte do corpo, Kituma chega a ser assistido no posto medico do Nsosso, onde não pude permanecer mais tempo, por julgar inseguro o local que exactamente viria a ser atacado horas depois de sua retirada.

 

 Na sua fuga, vem mais uma vez cair as garras dos nacionalistas que o torturaram mais ainda por ser considerado MUNDELE NDOMBE. Já na condição de detido e abatido, a sangrar, Kituma encontra mais uma oportunidade de defesa no Bairro de Katembo onde as populações de Kicumba Lemboa enfrentaram com mocas e armas Kanhyangulo os agressores. Por estranho que parece, não houve mortes.

 


 Kikumba Lemboa

 Imagem de Kikumba-Lêmboa ( foto de B. A. Kituma).


Pesa embora essa intervenção, os defensores não conseguiram resgatar o soba que foi imediatamente retirado do Katembo pelos seus agressores em direcção a Mbanza Damba - Massinge, onde finalmente vinha um grupo de gentes de Nkusso Pete, organizados e com alta sabedoria, o qual o salvara quando um deles, de repente ficou cheio de espírito do profeta Simão Kimbangu, começou a xinguilar dizendo: « Não matem Kituma, que o Senhor precisa dele em Leopold Ville (Kinshasa- RDC) ». Como os integrantes da UPA-Maza acreditavam nos Profetas Simão Kimbangu e Simão Toco, o libertaram de imediato nas mediações de Bº Mabaya.

 

No seu regresso para Kicumba-Lemboa,  suas feridas começaram a sangrar demasiado e quando deu conta, se achava no local que baptizou de NZANGALAKANI, porque vendo gotas de sangue na terra, concluiu que o pais está desorientado e estragado! decidiu, caso melhorar, criar uma fazenda de café com o nome de Nzangalakani em memória  a esses acontecimentos.

 

 

Continua...

 

                                                               Fonte: Branqkituma.damba.over-blog.com

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