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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


CABOCO

Publicado por Muana Damba activado 1 Mayo 2018, 00:17am

CABOCO.

Por Miguel Kiame

Quase ninguém aporta no Caboco porque Caboco já não existe. O tempo e a dinâmica da vida fagocitaram Caboco. Vou explicar-me mais clara e concisamente: Caboco, o velho Regedor, já não existe, apenas permanece nas imagens que cada um de nós transporta de um passado presente. O meu problema com Caboco e julgo ser o de muita gente é o Caboco, o velho Santos que por mais que se queira, jamais será encontrado. Falta, pois, o Caboco, Regedor, mas persiste o Caboco, aldeia, com habitantes ainda não refeitos do duro golpe que representou a partida, sem retorno, do seu benquisto chefe tradicional. Há cerca de 15 meses que a partida para a eternidade se consumou e já os velhos hábitos ancorados na hospitalidade ilimitada do velho Caboco, cheiram a mofo. Murchou a flor, caíram as pétalas, esfumou-se o perfume e com ele a força de atracção que fazia do lugarejo uma estação que provocava deleite. Caboco, aldeia, jamais será a mesma paragem obrigatória para os transeuntes.

Mas como caracterizar, sucintamente, a povoação de Caboco?

A aldeia de Caboco deve o seu nome ao velho soba MBUNGA LUMBOMBU, como prova de veneração e reconhecimento. Mbunga Lumbombu é o pai do Regedor Katuzeko Dias dos Santos Caboco e soba dos aglomerados populacionais de Kinteka Nsela, Kimwanga, Kinsenga, Kininga e o Caboco sede onde está implantado o casario do Regedor Katuzeko Dias dos Santos Caboco. A dinâmica do seu estoicismo e empenho na organização social das populações sob sua égide estiveram na base do cognome que lhe fora atribuído: CABOCO. Mbunga Lumbombu era, na verdade, o esteio, a base a volta da qual se alicerçou a complexa teia de actividades que se tornaram urgentes no dia a dia. O atributo que virou nome fora orgulhosamente adoptado e, a partir daí, rasgou horizontes e consolidou a fama. Mbunga Lumbombu, rebaptizado Caboco, conferiu nova forma a alcunha assumindo-a como autêntico e genuíno apelido familiar. Todos os seus descendentes passaram a ser registados com esse apelido. Acto continuo, a aldeia passou também a designar-se Caboco.

As populações autóctones de Caboco são originariamente oriundas das regiões ribeirinhas do Longa, Lomba e Kwilu, Wando e das regiões do Bungo, como é o caso de Mbunga Lumbombu proveniente de Tambu – Kongo dya Makabango. O movimento migratório da maioria aconteceu por motivos de segurança. As regiões de origem eram ciclicamente fustigadas por ataques de animais ferozes, alguns dos quais de origem fantasmagórica (nkituki) segundo rezam algumas notas de tradição oral. Aliás, no Caboco conheci um velho que era apontado como um malabarista nas ocultas artes de transformação em animal feroz.o

A primeira localidade onde aportaram as populações em fuga foi Nsala Yemba. Contudo a busca permanente de um melhor conforto e segurança levou-os a posicionar-se ao longo da actual estrada nacional. Aí fundou-se o conglomerado de Kinteka Nsela e suas aldeias contíguas.

As tribos dominantes das populações desse sobado eram: Ngonda, Kinzinga, Kikenga, Nsaku-Lau, Nswamba, Mbati Tukula, Ninga Tukula, Lukeni Tukula, Kimfila …

 

Mbu

nga Lumbombu, na sua adolescência, era um aficcionado pelos garbosos soldados que fizeram jus à sua valentia na Índia. Ele foi, digamos, em termos comparativos, o pioneiro que acompanhava essa tropa. Depois de adulto e em pleno exercício das suas funções de comando contou com o contributo dos seus coetâneos, destacando-se, dentre eles: Mbala za Kaka, Kyala kya Kelo, Landa dya Mpembele, Nsingo Musala, Luvumbu lwa Ntango, Kapululu, Katumbo, Malungo ma Muyaka, Nkakwezi e muitos outros.

Depois de velho, soba Caboco passou testemunho ao filho Katuzeko Dias dos Santos Caboco, num processo incomum, uma vez que seguindo os ditames da linha tradicional, o cargo de Soba competeria ao sobrinho da linha matrilinear e não ao filho. As autoridades administrativas coloniais jogaram influência determinante nessa transição tendo em conra as competências pessoais, sociais e profissionais exibidas por Katuzeko Dias dos Santos Caboco. Pouco tempo depois de assumir as funções de Soba, foi promovido a Regedor. A cerimónia de investidura, na qual também tomaram posse os Regedores de Kaindo e Kinzingo, foi altamente concorrida, tendo marcado presença o Governador do Distrito do Uige – equivalente ao actual Governador Provincial – na ocasião Sr. Rebocho Vaz.

Por razões de deferência, a residência do Regedor Santos Caboco foi destacada num local ermo, cerca de 500 metros da aldeia principal. O recinto era chique e começou a dar brado. Santos Caboco não resistiu à pressão e foi cedendo pequenas parcelas para novos vizinhos. Assim se alargou e definiu o actual contorno geográfico da aldeola que designo de Caboco sede.

 

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