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Portal da Damba e da História do Kongo

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Uíge a caminho do centenário

Publicado por Muana Damba activado 2 Julio 2016, 22:20pm

Etiquetas: #Notícias do Uíge

Uíge a caminho do centenário

Por Jose Bule

Uíge completou ontem 99 anos de existência. A cidade caminha para o centenário e as ruas estão enfeitadas e bem iluminadas. O trânsito torna-se cada vez mais intenso nas principais artérias e já se registam congestionamentos nas ruas Dr. António Agostinho Neto, Comandante Bula, 1.º de Agosto, Café e, sobretudo, na rua Industrial e do Comércio.

Os hotéis começam a ficar lotados. Centenas de pessoas, entre naturais e amigos do Uíge, a viver noutros pontos de Angola, juntam-se aos residentes para participarem na festa.

As ruas da “terra do bago vermelho” ganham animação. Os munícipes procuram os melhores lugares para se divertirem. Já é tradição os festejos começarem com fogo-de-artifício na meia-noite de 1 de Julho.
O espectáculo de pirotecnia dura de 20 a 30 minutos, é presenciado por milhares de pessoas. Além dos efeitos luminosos, o estalar dos foguetes tira da cama os já recolhidos e a maioria fica acordada para assistir ao festival.
O dia amanhece com as ruas já agitadas. As mulheres e os jovens ocupam os espaços livres da cidade para fazer negócio. Durante as festas, que começam amanhã, a cidade do Uíge é transformada num grande centro de diversão e negócios.
Alguns bairros apresentam-se com “cara nova”. No Popular, Mbemba Ngango, Pedreira e Candeeiro, as ruas foram asfaltadas e sinalizadas. Os moradores despediram-se dos charcos de água e das grandes nuvens de poeira.
Na cidade do Uíge e arredores foram reabilitados e asfaltados mais de 20 quilómetros de ruas. Os esgotos receberam manutenção, os lancis foram reparados e as sarjetas desentupidas. Para que as águas das chuvas não se voltem a acumular sobre o novo asfalto, foram colocados tampos novos nas valetas. As obras de reabilitação das ruas nesses bairros contemplaram também a substituição do pavimento dos passeios e calçadas. Já lá vão alguns anos que a energia eléctrica deixou de ser um problema. A cidade nunca esteve tão iluminada como nos dias que correm. A energia proveniente de Capanda é a principal garantia do êxito das festas.
O problema da água começa a ser resolvido. Fez-se um grande investimento. Os programas “Água para Todos” e de Investimentos Públicos permitiram que 54 por cento da população tivesse acesso a água potável.
Na cidade e bairros periféricos decorrem trabalhos de reabilitação e ampliação da rede de abastecimento de água. O projecto, que caminha para a recta final, prevê a instalação de 137 quilómetros de tubagem para permitir que sejam efectuadas mais de 20 mil ligações domiciliárias, só no município sede.
Neste momento, a água corre em abundância das torneiras dos bairros da Pedreira, Bem-Vindo, Cacuiuia, Bungo e QuilambaQuiaxi, parte do Popular e do Candombe Velho.

Festas ao rubro

A Praça da Independência, que este ano apresenta um cenário diferente do habitual, continua a ser o principal ponto de concentração de pessoas, montagem de tendas para exposição e comercialização de produtos.
É lá onde acontece o espectáculo das multidões. O local chega a registar mais de 40 mil pessoas, que tudo fazem para ouvir cantar os mais conceituados artistas angolanos. As barracas de comes-e-bebes costumam juntar ao cardápio regular do dia-a-dia pratos e bebidas típicos, como o jissombe frito, macoco (catato), fúmbua, carne de caça, macasquila (folha de feijão), grilo frito, maruvo de bordão e de palmeira e lunguila (bebida extraída da cana). A maioria dos foliões provém da periferia, atraídos pela música e grande oferta de iguarias e bebidas. Este ano, há carrosséis para as crianças.

Oportunidades de trabalho

As festas da cidade do Uíge, a realizarem-se de 1 a 7 de Julho, são também uma oportunidade para a realização de pequenos negócios e de emprego temporário para muitos jovens.
Na Praça da Independência, local onde decorre a Expo-Uíge, a montagem de barracas ou tendas, o transporte de material, a abertura de buracos ara a fixação dos suportes, acarretar água, lavagem da loiça, atendimento de clientes, publicitação e segurança são algumas das oportunidades de trabalho.
O carregamento de carvão vegetal, bidões de maruvo, sacos de bombó, caixas de refrigerantes e cerveja, vinho, uísque, tábuas ou ferros, rende-lhes algumas centenas ou mesmo milhares de kwanzas no fim do dia.
Passageiros não faltam aos taxistas. As viaturas circulam sempre carregadas de gente e mercadorias. Neste período, a maioria dos camiões que chegam à cidade do Uíge tem como ponto de paragem a Praça da Independência, onde são descarregadas muitas toneladas de produtos. Ali, o tempo não é aproveitado apenas para trabalhar, fazer novas amizades, fechar negócios, comer e beber, mas também para relaxar, sorrir e até namorar.
Muito cedo, enquanto a maioria dos vendedores volta das compras nos armazéns e mercados, a carne de gazela, paca ou de vaca, já temperada, fica à espera dos fregueses. A maioria das vendedeiras trabalha na criação de condições mais adequadas para que os clientes apareçam e se mantenham nas suas tendas ou barracas. Além das bebidas estarem sempre frescas, a comida é confeccionada com requinte. Muitos convivas deixam-se levar pelo ambiente e fingem esquecer-se da crise financeira que assola o país. Apesar da subida de preços dos produtos nos mercados, informal e formal, advinha-se que todo o dinheiro referente ao salário do mês de Junho seja pouco para sustentar vícios e vontades.

Fórum de negócios

O VI Fórum Provincial de Oportunidades de Negócios e Investimentos é apontado como o ponto mais alto das Festas da Cidade do Uíge. O lema escolhido para este ano é “Uíge: Diversificar a Economia, Investindo na Produção e Transformação Agrícola”.
O fórum vai abordar temas sobre “O Impacto da Queda do Preço do Barril do Petróleo no Mercado Internacional e as Medidas do Executivo para o Contínuo Crescimento da Economia”, “O Papel das Cooperativas Agrícolas da Província na Produção de Subsistência para uma Agricultura Virada para o Mercado”, e sobre a “Experiência do Perímetro Irrigado do Caxito e Probabilidades da sua Reprodução”.
Outros temas, como “Os Desafios e Técnicas de Produção da Mandioca em Grande Escala e sua Transformação para Alimentação e Exportação”, “A Produção de Arroz no Planalto do Lucelua-Progressos e Perspectivas” e o “Progresso do Estudo Sobre as Florestas do Uíge”, devem despertar também grande interesse entre os participantes no evento.
Esta edição incluiu uma mesa-redonda sobre “A Origem e Evolução Histórica da Cidade do Uíge-Usos e Costumes dos seus Habitantes”.
O programa das festas contempla a abertura da campanha da colheita do café e a realização do I Encontro Bilateral entre as províncias do Congo Central, da República Democrática do Congo, e do Uíge, sobre a abertura oficial da fronteira e do mercado de Quimbata, no município de Maquela do Zombo, além da inauguração de vários empreendimentos sociais.
Uma excursão turística ao marco histórico da Batalha de Ambuila e várias actividades músico-culturais e desportivas vão animar as festas dos 99 anos da cidade. Para a VII edição da Expo-Uíge são aguardadas mais de 200 empresas nacionais e estrangeiras, que aproveitam a ocasião para promover os seus produtos. Localizada a cerca de 371 quilómetros da capital do país, a cidade do Uíge foi fundada a 1 de Julho de 1917.


Via JA

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