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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Produtos agrícolas apodrecem na regedoria do Dambi

Publicado por Muana Damba activado 4 Noviembre 2015, 14:25pm

Etiquetas: #Notícias do Uíge

Fotografia: Edmundo Eucilio
Fotografia: Edmundo Eucilio

Por Valter Gomes

Milhares de toneladas de produtos agrícolas estão a deteriorar-se do campo, na localidade do Dambi, município do Uíge, por falta de compradores e meios de transporte.

Osvaldo Mateus, 45 anos, proprietário de uma fazenda há 15 anos, disse ao Jornal de Angola ter colhido mais de 150 toneladas de banana, 50 toneladas de feijão e mais de 100 toneladas de hortícolas, mas a maior parte dos produtos continua no campo.


O agricultor afirmou que conseguiu a muito custo transportar para as cidades do Uíge e Negage cerca de 40 toneladas dos vários produtos. Osvaldo Mateus disse que a falta de clientes se deve à degradação avançada da estrada que liga a localidade do Dambi aos municípios do Uíge e Negage.


“Já lá vão três anos desde que a Administração Municipal fez um trabalho de terraplenagem na estrada que liga a regedoria ao município do Uíge, mas, devido às constantes chuvas que se abatem sobre a região, acabou por se degradar e as dificuldades na circulação de pessoas e bens aumentam”, referiu.


O regedor da localidade do Dambi, João Bondo, disse que a degradação da estrada é prejudicial para os camponeses, os quais pretendem aproveitar a qualidade do solo da região, propício para o cultivo da banana, feijão, ginguba, milho, café, cana de açúcar e hortícolas, para intensificar a produção, mas vêem-se impedidos por falta de escoamento das colheitas.
A autoridade tradicional referiu que a reparação da estrada é de importância vital para o desenvolvimento das localidades e o bem-estar da população, visto que faz a ligação entre os municípios do Uíge e Negage, passando por várias aldeias.


João Bondo acrescentou que, nos últimos dois anos, a produção agrícola na localidade do Dambi cresceu com os incentivos do Governo aos camponeses, mas a degradação da estrada impede o transporte dos produtos. “Criámos um mercado rural para atrair compradores, a iniciativa foi louvada por muitos habitantes nas aldeias vizinhas da regedoria, mas precisamos de compradores que possam adquirir grandes quantidades de produtos agrícolas, sobretudo a banana, que é produzida em maior quantidade”, disse João Bondo.

Revitalização da cooperativa e água canalizada na comuna

O regedor avançou que, para inverter o quadro, enquanto se aguarda a reparação da estrada, a regedoria está a trabalhar para revitalizar a antiga cooperativa agropecuária, paralisada há cerca de 30 anos devido à guerra.
“Logo que a cooperativa começar a funcionar, vamos convidar a população camponesa a produzir e comercializar os produtos aqui, sem percorrer grandes distâncias. Por sua vez, a cooperativa faz o escoamento dos produtos para os grandes mercados da província e do país”, disse João Bondo.


João Bondo garantiu que já foram dados passos importantes para a legalização da cooperativa e está em curso o processo de reenquadramento dos associados para, a seguir, formular os pedidos de financiamento aos bancos com vista à aquisição de equipamentos em falta. Mais de quatro mil habitantes da sede do Dambi consomem água canalizada, captada a partir da nascente do rio Mbeluca, localizado a oito quilómetros da sede da regedoria.


“A localidade tem instalados 18 chafarizes e lavandarias, mas, devido ao aumento do número dos habitantes, queremos alargar o sistema de abastecimento na sede e nas localidades do Piqui e Quimbungo, que fazem parte da regedoria”, disse o regedor.


Os habitantes do Dambi recebem os primeiros-socorros no posto médico da aldeia.


Aberta em 2007, a unidade funciona apenas com um técnico efectivo e outro contratado. O responsável do posto de saúde, Moisés dos Santos, disse que são ali atendidos, em média, 30 pacientes por dia. As enfermidades mais frequentes são a malária, doenças respiratórias e a diarreia aguda.

Faltam enfermeiros

A regedoria tem uma gritante falta de técnicos de saúde para atender o grande número de pacientes que acorrem ao posto médico. “Necessitamos de dez enfermeiros para assegurar o funcionamento do posto”. A unidade possui uma área de recepção-catalogação, consultório, internamento e farmácia.


A localidade possui um centro médico, construído em 2008, que nunca funcionou por falta de médicos e enfermeiros.


“Muitas mulheres deslocam-se até à localidade de Cangundo ou ao hospital municipal do Negage para vacinar os filhos ou receber assistência materno-infantil”, disse o enfermeiro. Sem uma maternidade no Dambi, as parturientes passam por momentos de aflição devido à falta de transporte.

Escolas encerradas

Das seis escolas existentes no Dambi, apenas quatro funcionam. As outras duas, de 14 salas cada, estão encerradas por falta de professores do I ciclo do ensino secundário.O director da escola primaria n.º 41, Luís Alberto, disse que a falta do I ciclo na localidade é um quebra-cabeças para as autoridades locais e os encarregados de educação, que querem ver os filhos prosseguir os estudos.“Temos centenas de jovens que vêm das localidades do Sassa, Piqui, Quimbungo, Cahiri com o desejo de frequentar a 7.ª e 8.ª classes, mas, por falta do I ciclo, são obrigados a percorrer 15 quilómetros todos os dias até ao município de Negage”, disse.
Neste ano lectivo, foram matriculados no Dambi 859 alunos, da iniciação à 6ª classe, e 11professores foram distribuídos pelas três localidades, Dambi, Piqui e Quimbungo.


“Este número não é suficiente. Necessitamos de 17 professores para assegurar a formação das crianças”, frisou Luís Alberto.


Luís Alberto referiu que, devido ao número reduzido de professores, muitas turmas estão superlotadas, sobretudo as de iniciação, 1.ª e 2.ª classes, com as aulas lotadas muito acima do estabelecido na reforma educativa. Outra dificuldade é a falta da merenda escolar para incentivar a permanência dos alunos nos estabelecimentos de ensino.

Usos e costumes

Fundada em 1930, a localidade do Dambi tem origem no nome de um cogumelo comestível, que abunda nas matas da região. O regedor João Bondo disse que existe a regra de cada um poder retirar a quantidade de que necessita, sem esgotar as reservas desse alimento, que deve ser deixado para os demais.


A localidade é habitada por mais de dez mil pessoas, na maioria agricultores, distribuídos por três aldeias, Dambi, Piqui e Quimbungo. A quizaca, feijão, couve, funge de bombó e de milho, muteta, jissombe e macoco constituem os principais pratos da região.

Via JA

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