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Portal da Damba e da História do Kongo

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Produção de café está desarticulada com o mercado

Publicado por Muana Damba activado 1 Abril 2015, 05:10am

Etiquetas: #Notícias do país

Produção de café está desarticulada com o mercado

A falta de uma indústria de transformação do café no país está na base da desarticulação do circuito de produção e comercialização do “bago vermelho”, um produto que nos anos 1970 elevou o nome de Angola a um lugar de destaque no mercado mundial.

A preocupação foi manifestada pelo director da Empresa Regional de Abastecimento ao Sector Cafeícola (Procafé), Romualdo dos Santos, que classifica o país como detentor de condições climáticas e terras aráveis favoráveis para alcançar níveis elevados de padrões de qualidade. Actualmente, cerca de 400 mil hectares de terra estão disponíveis e à espera de investimentos nacionais e estrangeiros. Estudos realizados recentemente indicam que, nos próximos cinco anos, a produção de café pode atingir as 50 mil toneladas por ano, desde que sejam realizados mais invistimentos no subsector.


Para a antiga secretária da Organização Inter-Africana do Café, Josefa Sako, este quadro, que caracteriza o actual estado do sector cafeícola em Angola, tem merecido uma atenção especial da parte do Governo angolano, que para o efeito traçou um vasto programa de recuperação para o período 2013-2017, que passa pela reabilitação faseada das antigas fazendas e a criação de novas.


A actual produção de café no país, estimada em 12 mil toneladas, é assegurada por cerca de 50 mil produtores, 98 por cento dos quais agricultores familiares. Romualdo dos Santos, que prestou estas declarações no âmbito dos 40 anos da independência, lembrou que o abandono das fazendas e a inoperância de parte considerável das infra-estruturas afectas ao sector do café continuam a preocupar os produtores no activo a julgar pela baixa de produção que se vem registando desde os anos 1980.


Para o director da Empresa Regional de Abastecimento ao Sector Cafeícola (Procafé), as dificuldades de acesso às áreas de produção de café e a falta de meios para o escoamento da produção fazem desta cultura uma actividade débil e praticamente inexistente no país.


O sector, que na década de 1970 tinha uma produção anual de 225 mil toneladas, “assiste nos dias de hoje a constante transformação das antigas fazendas de café em campos de cultivo de outras culturas, além de um défice significativo de quadros qualificados e de infra-estruturas de apoio ao fomento e à investigação e a falta de tecnologias modernas e de incentivos à produção”.


Romualdo dos Santos considera triste o estado de abandono em que se encontra a actividade e garante que, se fosse prestada mais atenção a esta cultura, “Angola tinha menos pessoas desempregadas, alcançava o desenvolvimento sustentável e, ao mesmo tempo, se impedia a deslocação de muitas pessoas do campo para as cidades”.


O director da Empresa Regional de Abastecimento ao Sector Cafeícola (Procafé) receia que se venha a registar nos próximos anos, com a avançada idade das pessoas que se ocupam deste trabalho, o abandono total dos campos de café, por não se investir seriamente neste ramo de actividade económica.

Primeira linha

A antiga secretária da Organização Inter-Africana do Café, Josefa Correia Sacko, referiu que o “bago vermelho”, como produto de base, deve estar na primeira linha das acções de desenvolvimento económico, devido à sua importância no mercado de consumo mundial. “Angola deve organizar melhor o sector das matérias-primas, agregar valor e industrializar para criar mais empregos e reduzir à pobreza.”


Romualdo dos Santos referiu que os actuais preços praticados no mercado nacional, 50,00 kwanzas o quilo de café mabuba e entre 60,00 e 65,00 kwanzas tipo amboim, não são os mais justos, embora sejam os possíveis para o actual contexto nacional. O sector do café em Angola conta com o apoio das empresas Regional de Abastecimento ao Sector Cafeícola (Procafé) e da Cafangol, ambas públicas, dedicadas à comercialização, torrefacção, moagem e exportação. A Procafé-UEE, criada ao abrigo do Decreto Executivo conjunto nº 5-86, dos Ministérios do Plano, Finanças e da Agricultura, tem representações nas províncias do Cuanza Norte, Cuanza Sul e Uíge.


Até 1992, a empresa desempenhou um papel preponderante na organização, reestruturação, consolidação e manutenção, criando condições para fazer chegar o abastecimento técnico-material às cerca de 300 fazendas cafeícolas do país e aos mais de 35 mil trabalhadores.
Para este ano, a Procafé calcula que as províncias produtoras vão alcançar 1.216 quilos de café. No Cuanza Sul, a empresa prevê colher 258.680 quilos, no Cuanza Norte 132.330 quilos e no Uíge 803 toneladas. De Janeiro a Setembro do ano passado, a empresa comprou 112.876 quilos de café (sendo 99.430 de café ambriz e 13.446 Amboim), no valor de 5.778.­260,00 kwanzas. A província do Uíge lidera com uma produção de 48,834 toneladas, seguindo-se o Cuanza Norte com 29,045 toneladas e o Cuanza Sul com 13,446 toneladas.

Via J.A

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