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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


O que significa KULUMBIMBI?

Publicado por Muana Damba activado 20 Abril 2015, 07:53am

Etiquetas: #História do Reino do Kongo

Kulumbimbi em Mbanza Kongo

Kulumbimbi em Mbanza Kongo

Por Patrício Batsikama

Há três propostas sobre a etimologia de KÛLUMBIMBI. Esta expressão “Kûlu mbîmbi” deriva de:


(1) Kûlu:


(i) Kûla: triturar, reduzir em cinza, expulsar, exilar, conduzir para fora (Laman, 1936: 327)
(ii) Kûla: bater palmas silenciosamente em forma de agradecimentos para o vinho de palmeira oferecido; pagar a dívida; libertar (ao preço de moeda); pagar o preço de alto para recuperar um prisoneiro (Laman, 1936: 327)
(iii) Kûla: grande árvore servindo de coluna de uma casa ou para barragem no rio para os rios (Laman, 1936: 328)
(iv) Kûla: lugar cheio de árvores e capins (Laman, 1936: 328).

(2) Mbîmbi:


(i) Bîmba: tornar atento para o mensageiro encarregado das saudações quando bate as palmas (Laman, 1936: 39)
(ii) Bîmba: atar uns contra os outros, e de maneira horizontal, os cepos de bambu para levantar o murro de uma casa; juntar (Laman, 1936: 39)
(iii) Yîmba: atacar (em geral, diz-se de um número considerável de pessoas); assaltar; lutar; juntar (Laman, 1936: 1134);
(iv) Vîmbu: ossatura arquitectónica de uma casa (Laman, 1936: 1019). Mas significa, também, os cadáveres dos ancestrais.

Face a esta trama semântica, as significações que a História escrita e verificada nestas ruínas – nos dias de hoje – são as seguintes:
(a) Kûlumbîmbi: casa construída com vîmbu (ossatura em bambu), o que na verdade é o caso das ruínas de Kûlumbîmbi.
(b) Kûlumbîmbi: o lugar sagrado onde se oferecia vinho de palmeira para os ancestrais; lugar onde se reunia muita gente (tribunal) e, para ter direito a palavra, era fundamental “bater as palmas” (um sinal de reverência). Também é o caso de Kûlumbimbi, local dos cultos dos ancestrais.
(c) Kûlumbîmbi: um lugar que conheceu repetitivas batalhas, e cujas estruturas antigas foram reduzidas em cinzas por causa das guerras. A História apresenta provas que o local foi destruído desde século XVII até século XVIII.
(d) Kûlumbîmbi: o um local onde estariam enterrados o ancestral de toda população, cemitério dos ancestrais da fundação do Kôngo…

O que este local significaria para as populações de Mbanza-Kongolenses?


É interessante aqui notar três discursos:


(a) Discurso do poder: Para o Estado angolano, as ruínas são de extrema importância. É preciso perceber-se aqui que se preserve as relações com a Igreja católica. Com as escavações, admite-se aqui a hipótese de:


i. Um antigo cemitério cuja compreensão remete-se a autoridade tradicional. Daí a necessidade de diálogo institucional entre o Poder Central e o Poder Consuetudinário.
ii. As evidências arqueológicas – que são ainda matérias por estudar pormenorizadamente – levam o Estado a admitir dois mini-discursos convergentes: presença católica; presença pré-católica.

(b) Discurso religioso: por se tratar de um lugar potencialmente religioso, há aqui três mini-discursos (Bruno Pastre, 2014):


i. católico: por ter sido Sé Catedral, a imagem de Jesus Cristo – uma autoridade carismática para cristãos – estaria no centro da crença das populações cristãs que lá vivem. Obedece-se aos mandamentos cristãos mais do que qualquer outro.


ii. sincrético: No início do século XVIII, Nsîmba [Kimpa] Vita, liderou kimpâsi que já vinha misturado entre as crenças locais e o cristianismo: os Bakûlu (ancestrais) e os Bakîsi (santos) não tinham desaparecidos perante Jeová, Jesus e Espirito Santo. Hoje, as igrejas messiânicas indicam o local como Babilónia ou, ainda, como local de grande realização: Nova Jerusalém.
iii. kôngo: Bundu dya Kôngo [Igreja Kôngo] reclama-o como o “Santo lugar” onde Nzâmbi fixou seu povo. Existe Terra santa (Kûlumbîmbi), língua santa (kikôngo) e cultura santa (nzîl’a Kôngo: usos e costumes kôngo).

(c) Discurso popular: as populações reagem de três maneiras diferentes:


i. consoante as suas crenças: o católico valoriza as ruinas, ao passo que o Bûndu dya Kôngo prefere os mitos. O sincrético procura juntar as duas primeiras. Há uma rixa religiosa – extrema e silenciosa – que opõe católicos (com mínima solidariedade dos protestantes) com alguma hegemonia e popularidade contra os Bûndu dya Kôngo.


ii. consoante as suas habilitações: o espírito cartesiano tem jogado um papel importante: um primariano está dividido entre as crenças religiosas acima mencionadas; um técnico médio e o técnico reflecte na valorização da sua cultura: independentemente das suas crenças, as autoridades consuetudinárias autenticas – que se diferem dos sobas representa ma instituição da sua preservação.


iii. Consoante o estatuto sociopolítico: o discurso do centro é personificado pelas autoridades administrativas, ao passo que o discurso da periferia simboliza-se pelas autoridades consuetudinárias. Por princípio, são dois estatutos que mantêm o equilíbrio, sem mínima invasão de actuação, embora haja uma certa imiscuição com a hegemonia do poder central.

Fonte: "Batsîkama, P. (2015), Mbânz'a Kôngo: Património da Humanidade, pp.57-68"

A visita do Papa João Paulo II no Kulumbimbi em 1992

A visita do Papa João Paulo II no Kulumbimbi em 1992

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