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Portal da Damba e da História do Kongo

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Adeus Mingiédi Mawangu - A legenda do Konono

Publicado por Muana Damba activado 6 Abril 2015, 20:47pm

Etiquetas: #Música, #Coisas e gentes da Damba, #Cultura

Mingiédi Mawangu - 1933-2015

Mingiédi Mawangu - 1933-2015

Por Sebastiâo Kupessa

Segundo músico angolano residente na Alemanha, Dontana (João Zanquila), o fundador do famoso grupo folclórico KONONO n° 1, MINGIÉDI MAWANGU, verdadeira legenda do rítmo Zombo, faleceu no dia 02 de Abril de 2015, em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo. A informação foi fornecida pelo filho do malogrado, respondendo pelo nome de Augustin Makuntima, também residente na mesma cidade.

Mingiedi Mawangu nasceu no Kinkosi Kya Mabubu, na sede do município da Damba, no dia 15 de Março de 1933, mas passou a sua infância em Kibokolo, no município de Makela do Zombo. Muito cedo, aprendeu, atravêz do seu pai, a tocar o sanzi (likembe), batuque, cantar, compor e fabricar instrumentos musicais, o que vai permitir revolucionar o masikilu, constituindo-se, ao longo de décadas, o verdadeiro embaixador do rítmo tradicional tocado no antigo reino do Kongo.

Condutor de camiões de profissão, Mingiédi Mawangu, funda em 1961, o grupo tradi-moderno "Tout Puissant Orchestre Likembe Konono n°1" no então Congo-Belga, onde encontrou o refúgio, depois dos confrontos entre nacionalistas angolanos sob bandeira da UPA e adminstração colonial em Angola.

Depois de animar festas e manifestações culturais de angolanos refugiados no Congo, ao longo de muitos anos, finalmente em 1978, ele e o seu grupo, entram pela primeira vêz num estúdio de gravação, onde edita em disco, a compilação das suas composições, incluíndo a famosa canção "Kanga Malonga", que vai recolher um sucesso fenomenal, rivalizando-se com os grandes artistas musicais conhecidos naquele país da África-Central, visinho de Angola, considerado na altura como capital da música africana.

Com a paz reencontrada em Angola em 2002, Mingiédi Mawangu, envia o seu sobrinho NZUZI N'LAZA em Luanda com uma parte de músicos tradicionais, para perpetuar o rítmo Konono no país onde é originário. Nzuzi N'laza era um cantor extraordinário e toda a sua vida cresceu no Konono. Já na capital angolana, ele cria KONONO MOLENDE e compôs as canções a sucesso como "Kyese kuna Damba (ver o nosso playlist) ", "Makonda Mbuta", etc. Infelizmente ja é falecido há cinco anos, vítima do paludismo.

Descoberto, enfim, pelo World Music em 2003, com 70 anos de idade e em seguida o seu grupo ganha a notoriedade internacional. Dois anos mais tarde, o Congotronics revela ao Ocidente a música hipnótica e febril tocada com três likembes ou Sanzi (Kissange) amplificados, acompanhados de percussões recicladas nas lixeiras de Kinshasa.

Em 2006, o grupo ganha um prémio como "Revelação do World Music" e colabora, um ano depois, com a cantora excêntrica islandesa Björk, na composição da canção "Earth Intruders" de son album studio, Volta.

O album do Konono Nº1 "Live At Couleur Café" foi nominado com um Grammy Award en 2008. Konono nº1 colaborou ainda na produção de vários CD's como "Imagine", um álbum de Herbie Hancock em 2010, The Imagine Project com Seal, P!nk India.Arie, Jeff Beck, Oumou Sangaré e outros. A canção *Imagine" ganhou o Grammy Award da "Melhor Colaboração Pop".

O conjunto Konono n° 1 foi escolhido pelo Matt Groening para fazer parte do Festival All Tommorow, organizada em Minehead, na Inglaterra. Em Novembro de 2010, Crammed Discs, produtor do grupo Konono N°1, edita um CD do Mingiédi Mawangu com a participação de vários artistas, 26 ao total, provinientes de universos musicais diferentes, incluíndo Deerhoof, Animal colective, Andew Bird, Juana Molina, Shackleton, Megafaun, Aksak Maboul, Mark Ernestus e sobretudo do grupo tradicional congolês da cultura Luba, Kasai Allstars.

Em 2011, Mingiédi Mawangu e o seu Konono fazem parte de um projecto "Superband", com músicos congoleses e do rock indiano, criando um repertório comum, que permitiu a participaçâo em 15 grandes festivais em 10 paises. Foi o seu último aparecimento em público.

Toma Kwenda Tata MINGIÉDI MAWANGU

Mingiédi Mawangu, a esquerda, conheceu a glória e a fama no fim da sua vida.

Mingiédi Mawangu, a esquerda, conheceu a glória e a fama no fim da sua vida.

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