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Portal da Damba e da História do Kongo

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A reconstrução do tempo na pintura de Mampuya

Publicado por Muana Damba activado 24 Agosto 2014, 04:53am

Etiquetas: #Cultura

Por Nok Nogueira

Guilherme Mampuya é um dos mais importantes nomes dos artistas plásticos angolanos contemporâneos. O seu trabalho, muito focado numa ideia de reconstrução pictórica e imagética da memória colectiva que marca a história da humanidade, tem permitido a este artista afirmar-se como uma figura de incontornável mérito no mosaico sociocultural angolano.


Pelas redes sociais, a nova plataforma de diálogo entre distintos pólos de intervenção artística e cultural, vimos constatando uma presença assinável das suas obras, que nos levaram a recorrer a um artigo publicado em 2011, no Jornal de Angola, por altura de uma exposição a qual intitulou “Remember the time”. Esta mostra foi, quanto a nós, bastante paradigmática e ilustrativa do que já eram os sinais de evolução e de originalidade na sua obra. Ora já bastante “adulta” para apresentar-se ao mundo pelos seus próprios pés.


Mampuya, vencedor do Grande Prémio Ensa Arte de pintura, edição de 2010, tem sido prova do seu próprio crescimento ao longo destes últimos cinco anos, sendo por isso
responsável por um labor que promove um diálogo intemporal nas artes plásticas, essen-
cialmente na pintura, entre distintas épocas.


A estas Silhuetas do Tempo, trazemos as linhas que tínhamos debitado a seu respeito e
a do seu trabalho, às quais demos o título de “Em busca do Cosmopolitismo Estético”.
“Já lá vai o tempo em que cada valor estilístico reflectia, como um punhado de enunciação contextual, um momento particular, uma etapa, uma época, uma tendência, ou mesmo uma linha divisória que, sob o ponto de vista do seu posicionamento estético, distanciasse uma geração de artistas da outra.


Hoje por hoje longe vão ficando as análises que se limitam a reflectir sobre um momento em particular como um movimento estético-corporativista nas artes. Não há, portanto, um manual de enunciados nos quais possamos colher os limites constitutivos ou normativos de um posicionamento artístico que grasse pelo tempo adentro como um todo coagulado.


Essas leituras, que fazem parte de um passado basilar e precursor da evolução do
pensamento humano, através das variantes filosóficas, tomam hoje o nome de Pós-
-Modernidade, não muito pela incapacidade da crítica em dar corpo a determinismos
ideológicos, mas por estarmos exactamente a assistir a um restaurar da memória dum
tempo mensurável através dos distintos momentos que marcam a história das artes em todo mundo no seu mais amplo sentido.

Com efeito, a pintura que o artista angolano Guilherme Mampuya nos vai apresentando reflecte precisamente esse restaurar da memória, que se traduz num exercício peculiar de construção imagética e pictórica.



Esta pintura procura dar lugar a um reencontro entre os valores estéticos que estão simplesmente separados no tempo, enquanto margem de demarcação estilística ou artística. Porém, o tempo a que nos referimos não se impõe em nenhum dos momentos como um cinzel que deixa a sua marca pela irrupção do talho. Ele apenas flui como um instrumento modelador em exercício de construção, mas que precisa quer de um quer do outro momento para se poder afirmar como tal, sem colocar de parte os seus extremos.


O trabalho de Guilherme Mampuya quebra os limites fronteiriços da reflexão contextual vigente e afirma-se como um congregar de perspectivas. Ou seja, ele vai em busca de um posicionamento que se não inscreva numa identidade puramente modernista, classicista, renascentista ou mesmo pós-modernista, uma vez que é esta a sua plataforma de iniciação.


Esta preocupação com as identidades ideológicas é, no fundo, o objecto da pintura de Mampuya, quando se propõe revisitar a história para com ela encontrar o substrato de um equilíbrio estético que o mantenha na sua Pós-Modernidade, mas que não o jogue para a fundação de uma teoria estética nova que nasça de um tempo também novo, se assim for entendido.


O que acaba por ser uma demonstração clara de que o tempo se alimenta de si mesmo. Do equilíbrio de forças nele existente.

O trabalho de Mampuya constitui um exercício de incorporação estética cujo objecti-
vo anda à volta de um sentido de inclusão, que visa dar realce à pintura como um mo-
delo dinâmico de reflexão.


A sua pintura compõe-se dentro de um quadro em que a técnica procura estabe-
lecer uma estreita elasticidade com a esté-tica. E essa estética, que se alimenta de si,
procura subsistir ao equilíbrio contextual, de maneira a permitir que o processo de
inclusão ocorra, seja por influência de um movimento ou de outro.


As sociedades pós-modernas não se conhecem pelo seu todo, ou seja, pelo conjunto de artistas que apresentam, mas pelo valor individual que cada um destes representa para o mundo ao despontar de entre os vários que buscam um isolamento cada vez mais evidente, quando há dois, três, quatro séculos o processo era precisamente o inverso.

O que é de facto agradável na exposição “Remember the Time” de Mampuya é a preo-
cupação com o exercício de unidade entre os vários momentos que marcam o posicio-
namento estético nas artes plásticas. É uma pintura que procura unir pólos de reflexão
estética e vai ao encontro de um certo cosmopolitismo ideológico e cultural.”

Via NJ

imagem de Angop

imagem de Angop

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