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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Fiéis tem uma peregrinação a Santa Rita de Cássia

Publicado por Muana Damba activado 25 Mayo 2014, 04:06am

Etiquetas: #Notícias do Uíge

Por Nicodemos Paulo e Joaquim Júnior

Milhares de crentes participam até hoje, na primeira grande peregrinação ao santuário de Santa Rita de Cássia, na aldeia Casseche, a 15 quilómetros da cidade do Uíge.

De 22 a 25 de Maio, os fiéis de várias igrejas reuniram-se pela primeira vez no local para assinalar o aniversário natalício da santa (22 de Maio de 1381) e permitir que os fiéis de diferentes paróquias e denominações religiosas se juntem em oração.


Inaugurado a 6 de Abril de 2013, o local recebe por dia de 20 a 30 peregrinos, que ali rezam a Santa Rita. A maioria são pessoas com problemas de saúde, desentendimentos no lar e conflitos laborais.


O reitor do Santuário, padre Fernando Cristóvão Cazeza, disse ao Jornal de Angola que foram criadas várias comissões para preparar as condições logísticas de segurança e litúrgicas da peregrinação.


“Já foram mobilizados os padres e os grupos corais que vão animar as missas”, realçou, acrescentando que o Governo Provincial do Uíge, a Administração Municipal, Serviços Provinciais dos Bombeiros e Protecção Civil e a Polícia Nacional foram contactados e garantiram apoiar a actividade.


“Aguardamos que pelo menos quatro mil fiéis de todas as paróquias e missões da Diocese do Uíge participem na actividade, além de milhares de outros pontos do país”, disse.


O padre Fernando Cazeza informou que muitos devotos começaram a chegar ontem e até ao dia 25 vai ser cumprido um vasto programa de orações, dinâmicas de grupo e outros exercícios espirituais. Os fiéis foram aconselhados a levar tendas para acampar no santuário.


O sacerdote referiu que, desde a inauguração, o santuário já recebeu mais de nove mil devotos, na maioria mulheres, provenientes de várias partes do país, que permanecem no local durante dois ou três dias em oração e jejum.


O reitor do Santuário de Santa Rita de Cássia sublinhou que o local está a contribuir para a fortificação da fé dos fiéis e para a reconciliação e recepção de graças.


“O santuário trouxe mudanças no seio dos cristãos católicos e também para outras pessoas que frequentam o local, pois temos recebido testemunhos dos peregrinos que aqui chegam e afirmam que lhes valeu de muito permanecerem alguns dias no local santo”, disse.


O padre Cazeza contou que muitos peregrinos se queixavam de várias enfermidades e outros tinham conflitos no lar. “O templo serve para pacificar os espíritos e incutir uma cultura de santidade à população devido à fama da aldeia ser um centro de feitiçaria. Através desse local santo, a Igreja procura mostrar que nenhuma força supera o Altíssimo, e um ano depois da sua construção, os resultados estão à vista de todos”, realçou.

Acomodação dos fiéis

A direcção do sobado cedeu um antigo edifício da Cooperativa Agrícola do Casseche para albergar os peregrinos. Tem capacidade para acolher mais de 500 pessoas, o que é insuficiente para os milhares de peregrinos que são esperados no local.


A Reitoria do Santuário já mandou limpar e embelezar o estabelecimento, mas está preocupada com a água a ser consumida no local.


“A água também pode constituir grande dificuldade para os que vêm a Santa Rita. A quantidade do produto distribuído à população por meio de chafarizes pode não ser suficiente para abastecer os visitantes e a população residente, porque no tempo seco o caudal baixa e o sistema de distribuição não fornece água suficiente para o consumo”, disse.


O padre Fernando Cazeza referiu que o santuário está aberto a todos, religiosos ou não, desde que obedeçam às regras estabelecidas para a devoção, começando pelo comportamento e respeito pelo lugar e o uso de vestuário decente.


O prelado católico acrescentou que, o segredo das respostas positivas baseia-se na confiança depositada em Santa Rita de Cássia.

Peregrinos com o Censo

“Os devotos que vão participar na peregrinação até 25 de Maio, também vão dirigir súplicas a Santa Rita de Cássia para que o Censo da População e Habitação no país decorra sem sobressaltos”, disse o reitor do Santuário, padre Fernando Cazeza.


O sacerdote informou que durante as liturgias da peregrinação vão ser reservados momentos de oração para o êxito do processo, além da sensibilização dos fiéis no sentido de colaborarem com os recenseadores em suas casas antes e depois da peregrinação.
“Todos os peregrinos devem saber os dias em que vão receber os recenseadores para não irem ao santuário. Eles não podem trocar o recenseamento por outra actividade. A peregrinação não pode interromper o Censo nem influenciar em alguma situação. Pelo contrário, deve contribuir com espírito de reza e participação, por isso é que todos os fiéis devem estar cientes do dia em que podem passar os recenseadores em suas casas”, preveniu.


O reitor do santuário acrescentou que não é necessário que os peregrinos permaneçam no recinto durante os quatro dias das celebrações, em detrimento de outras tarefas e só devem fazê-lo se já tiverem cumprido o seu dever patriótico.


O responsável do santuário pediu que cada devoto seja um porta-voz desta jornada: “aqueles que tenham feito o recenseamento antes do início da peregrinação, podem ficar no santuário durante os dias da celebração, porque já estão livres do processo”, disse.
Para o Padre Fernando Cazeze, o recenseamento faz parte dos acontecimentos que a Bíblia regista no nascimento de Jesus Cristo, que aconteceu numa altura em que o governador Quirino ordenou, pelo Decreto do imperador César Augusto, recensear e taxar a população, o que obrigou naquele tempo Maria e José, os pais de Jesus, a deixarem a aldeia para se deslocarem a Belém da Judeia para esse efeito.


O padre Cazeza realçou o facto de o Censo Geral da População e Habitação cruzar com o mês em que nasce a Santa Rita, nascida em 1381 em Roccaporena, Itália, e falecida a 22 de Maio de 1457, em Cássia, tendo sido beatificada em 1627 e canonizada em 1900 pela Igreja Católica.


“O Censo acontece num bom momento, por isso vamos pedir a Santa Rita para que ajude os que se estão a empenhar no trabalho de recenseamento, para que voltem aos seus locais de residência com o sentimento do dever e missão cumprida”, afirmou. Luísa João, devota da Santa Rita, disse à reportagem do Jornal de Angola que vai esperar pelos recenseadores para depois ir acampar no santuário. “O Censo é um acto que aguardamos com muita ansiedade por ser um exercício que vai permitir ao Governo conhecer melhor as nossas condições sociais e não posso deixar para trás essa actividade tão importante para todos os habitantes de Angola”, disse.


A aldeia Casseche tem uma população estimada em três mil habitantes. Joaquim Laurindo, soba adjunto, disse que a população está mobilizada para acolher o processo de forma ordeira e cívica.

Via Jornal de Angola

Fotografia: Mavitidi Mulaza | Uíge

Fotografia: Mavitidi Mulaza | Uíge

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