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Portal da Damba e da História do Kongo

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Uíge faz aposta na área agrícola - Entrevista do Governador Paulo Pombolo

Publicado por Muana Damba activado 3 Abril 2014, 14:29pm

Etiquetas: #Notícias do Uíge

Uíge faz aposta na área agrícola - Entrevista do Governador Paulo Pombolo

Por António Capitão| Uíge

O governador do Uíge, Paulo Pombolo, afirma que a agricultura é a base do desenvolvimento da província. Em entrevista ao Jornal de Angola, defende também mais investimento na formação dos quadros necessários ao processo de desenvolvimento.

Paulo Pombolo considera também importante mecanizar a agricultura para aumentar a produção. E anunciou para breve o início da produção de cobre nas minas de Mavoio.

Jornal de Angola - Quais são as grandes perspectivas para o desenvolvimento do Uíge?

Paulo Pomb
olo - Colocamos no centro das nossas atenções o desenvolvimento do sector agrícola, porque acreditamos que é a base do desenvolvimento da província. É o sector escolhido para alavancar o crescimento económico da região. O nosso objectivo é transformar a agricultura de subsistência numa agricultura voltada para o mercado, onde os agricultores retiram parte para o consumo e o excedente para a comercialização. Devemos produzir em grandes quantidades para disponibilizarmos matéria-prima à agro-indústria que vai permitir criar numerosos postos de trabalho.

JA - A formação de quadros está garantida?

PP - A formação de quadros é também uma das nossas apostas. A província tem a obrigação de, nos próximos cinco anos, formar técnicos capazes de assumirem o processo de desenvolvimento local. No domínio habitacional, vamos continuar a preparar as infra-estruturas das reservas fundiárias para que os cidadãos tenham a possibilidade de conseguir um lote de terreno para construírem casa própria. Temos de aumentar a capacidade do fornecimento de energia e lutar pela industrialização da província com a preparação do Pólo Industrial do Negage, cujo projecto de infra-estruturação foi concluído no ano passado.

JA - O que está a ser feito no sector da agricultura?

PP - A província conseguiu produzir quatro milhões de toneladas de produtos agrícolas apenas no ano passado, dos quais 40 por cento foram comercializados. Para além de potenciarmos a província com produtos alimentares, temos de reconhecer que os produtores já começam a vender a sua produção através do PAPAGRO (Programa de Aquisição de Produtos Agro-pecuários) e das exportações, como acontece com o café, que se pensava ser uma cultura extinta na região, mas cuja produção foi reactivada.

JA - Quem compra o café?

PP - A Delta Cafés é uma das principais compradoras e exportadoras do café do Uíge e tem exigido mais quantidades, visto que o que se produz ainda não responde às necessidades. Com os investimentos que estão a ser feitos vamos ter quantidades satisfatórias para o mercado nos próximos cinco anos.

JA - Existem outros projectos no sector agrícola?

PP - Existem vários projectos como o do Lusselua, em Sanza Pombo, que está a produzir arroz, a Agricultiva, que produz vários produtos alimentares com realce para a produção de mais de 12 mil ovos diariamente, contribuindo para a redução dos preços no mercado local. Existem cooperativas agrícolas que estão a desbravar grandes extensões de terras para cultivarem produtos agrícolas que podem suportar a agro-indústria nos próximos tempos e contribuir no programa de combate à pobreza.

JA - A mecanização agrícola ­está garantida?

PP - Estamos a apoiar a agricultura para a sua mecanização de forma a respondermos de forma satisfatória às acções constantes no Plano Provincial de Desenvolvimento. Quando se pretende uma agricultura em grande escala é necessário mudar as tecnologias de produção porque não é possível cultivar mais de mil hectares de milho ou mandioca com os métodos rudimentares ainda utilizados, como a catana e enxadas. É necessário mecanizar a agricultura para produzir em grande escala e vender ao mercado. Assim os agricultores rentabilizam a sua produção.

JA - Há investimento estrangeiro na província?

PP - Há um intercâmbio com investidores estrangeiros que têm recursos financeiros e estão interessados em desenvolver vários projectos na província, como é o caso da fábrica de água mineral, o projecto agropecuário do Dala, a fábrica de tijolos, a fábrica de colchões de espuma que já funcionam no Pólo Industrial do Negage.

JA - Como está o sector da saúde na província?

PP - Estamos a construir hospitais municipais em Ambuíla, Bembe, Cangola e Milunga. Existem ainda dois projectos para construir os hospitais dos municípios de Maquela do Zombo e Quimbele. Neste sector referenciamos o Hospital Municipal da Damba, o único no país onde se fazem as correções da fístula obstétrica e tem trazido à província centenas de mulheres de várias regiões do país, além do hospital do Bungo, onde funciona um centro oftalmológico.

JA - O hospital Geral do Uíge já oferece serviços de qualidade?

PP - Este hospital foi construído em 1968 e nunca tinha beneficiado de uma reabilitação profunda. Com o apoio do Ministério da Saúde começámos este processo no ano passado e foram construídos dois ­novos edifícios que vão acolher as áreas destinadas ao bloco operatório. Estão a ser melhoradas as áreas dos serviços de apoio, como saneamento básico, distribuição de alimentos aos doentes, fornecimento de roupa para as camas e medicamentos para estabilizarmos a entrega dos fármacos aos doentes e evitar que vão adquiri-los nas farmácias privadas.

JA – O orçamento é suficiente?

PP - Há alguns problemas que ainda persistem porque o orçamento atribuído ao hospital ainda é insuficiente. São necessários mais de 200 milhões de Kwanzas mensalmente para o seu normal funcionamento e o actual orçamento não atinge 35 por cento do valor necessário. Ainda assim, há melhorias, tendo em conta a humanização dos serviços através das acções de educação dos profissionais de saúde, da educação sanitária que está a ser feita nas comunidades periféricas da cidade para prevenirmos as doenças.

JA - O sector da Educação está a avançar?

PP - O sistema de ensino geral tem 399.000 alunos inseridos. É um número considerável, graças à construção de escolas, até em locais onde o governo colonial pnão foi capaz de o fazer. Temos mais de 14.000 professores distribuídos pelas 31 comunas e 16 municípios da província. Ainda continuamos a formar professores para preencherem as vagas existentes e resolver o problema do défice em algumas comunidades. O ensino geral tem progredido bastante, apesar de reconhecermos que temos ainda algumas crianças fora do sistema de ensino. Umas, porque os pais não as levam à escola e outras por falta de salas de aulas em zonas de difícil acesso.

JA - O que tem sido feito no domínio da habitação?

PP - Está a nascer uma nova centralidade habitacional na região do Quilomosso, onde estão a ser erguidos 4.500 apartamentos dos quais 1.100 já estão concluídos e começam a ser comercializados em breve. Para além da centralidade do Quilomosso está projectada uma segunda centralidade para o município de Negage, onde vão ser construídos 2.­500 apartamentos. Há também o programa em que estamos a construir 200 fogos habitacionais em cada município no sentido de melhorarmos as condições de acomodação dos quadros da função pública destacados nestas localidades.

JA - Existem reservas fundiárias do Estado?

PP - Existem reservas fundiárias em todos os municípios que estão a servir a autoconstrução dirigida através da distribuição de lotes de terrenos. Há ainda a construção de várias infra-estruturas socioeconómicas como é o caso do projecto habitacional da juventude no Catapa, com 200 moradias. Foi também assinado um contrato entre uma empresa nacional e a Agência Nacional de Investimento Privado (ANIP) com financiamento externo para a construção de mais de cinco mil casas na reserva fundiária do Catapa.

JA - A província está a crescer?

PP - A província do Uíge está a crescer e não é a mesma do passado. O surgimento de universidades, escolas técnicas e profissionais, o aumento da produção agrícola, a melhoria dos sectores da saúde e educação, a abertura de várias instituições bancárias, a reabilitação e construção de estradas e pontes, o crescimento da agricultura e outros serviços são sinais evidentes de mudanças e crescimento. Quem não acredita nestas mudanças é porque não quer ver os esforços que estão a ser feitos. Sabemos que ainda há situações que precisamos de melhorar e investir mais em alguns sectores. Mas as mudanças são visíveis.

JA - Em que situação está o projecto das minas do Mavoio?

PP - Esse é um bom exemplo das mudanças registadas. A prospecção de cobre está na fase final e a mina começa a produzir milhares de toneladas nos próximos tempos. Desde que o projecto foi lançado nunca mais se falou nele. Mas o trabalho está a ser bem feito e os resultados começam a surgir. As minas do Mavoio são importantes.

JA - O abastecimento de energia melhorou?

PP - Mais uma grande mudança. O abastecimento de energia eléctrica à cidade do Uíge era feito por grupos geradores com uma capacidade de apenas três mil Kva e era fornecida de forma faseada aos bairros e em apenas cinco horas ao dia. Nos últimos tempos foram construídas a linha de transporte, as subestações de transformação e armazenamento, as redes de distribuição pública e domiciliária da energia de Capanda às cidades do Uíge, Negage e Maquela do Zombo. Está em curso a elevação da capacidade de produção de energia eléctrica para 47 Megawatts nos próximos meses e o alargamento da rede de distribuição pública e domiciliária nos bairros periféricos da cidade. São ganhos muito visíveis que ninguém pode ignorar.

Via Jornal de Angola

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