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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Lágrimas de sangue

Publicado por Muana Damba activado 12 Marzo 2014, 12:41pm

Etiquetas: #História do Reino do Kongo

Dia 26 de fevereiro de 2014, um dia banal e comum para muitos, mas para a minha família este dia é um dia de lembranças dolorosas...


Foi num dia como este, num certo dia 26 de Fevereiro de 2000 que morreu o malogrado Johnny Eduardo Pinnock, nacionalista angolano e antigo Primeiro-Ministro do governo de transição do colégio presidencial saído dos acordos de Alvor pela FNLA.


Da vida do meu pai antes dos anos 80 (oitenta) pouco sei, tenho ouvido relatos e testemunhos de varias pessoas e membros da família que o conheceram muito bem.
Existe uma certa unanimidade acerca das suas competências no que tocava ao seu desempenho em prol da independência de Angola, primeiro na UPA-GRAE e mais tarde como Primeiro-Ministro, secretario de Estado das Relações Exteriores, Conselheiro do PR para os Assuntos Políticos e sem esquecer a sua passagem na extinta ESPA-UEM como Director Geral.


Sim, como qualquer ser humano de dimensão superior, Johnny Pinnock tinha também os seus detratores...  Muitos dirão que ele era isto ou aquilo, acusações sem fundamentos nem cabimentos, mas como ele mesmo sempre me respondeu certa vez quando perguntei se era verdade e porque razão os colegas na escola acusam-me de ser canibal e comer carne humana, ele respondeu-me com muita calma e com aquele ar sereno que "Tudo isso era mentira e que em política certas pessoas pensam que vale tudo, chegam até mesmo mentir, enganar e desenformar o povo para diabolizar o adversário." Estas palavras nunca mais saíram da minha cabeça.


É verdade, certas pessoas tinham esquecido que o inimigo comum era o colono, e sacrificaram os seus irmãos pela ganância, pela sede do poder... Isso caros leitores é "Realpoltik". Quem sabe talvez a FNLA fosse fazer como o MPLA se tivesse ganho a batalha de Luanda? Quem Sabe?


Nós sabemos que pela tradição Bakongo e pela forte adesão religiosa dos membros dirigentes deste partido, a diabolização não teria sido usada contra os os irmãos, mas não quero refazer o mundo nem tentar mudar a historia, o que está feito foi feito e ponto... deixemos a Historia julgar cada um.

Neste texto que pretendo não exausto, quero apenas lembrar que a eliminação física dos adversários políticos é uma arma que o MPLA nunca deixou de usar. Há provas disto até hoje.


Muitos de vocês sobre a morte do senhor Johnny Pinnock apenas conhecem a versão oficial: "Morto de doença prolongada" dizia o comunicado de Estado. Deixem-me dizer uma coisa: "MENTIRA DE ESTADO".


A verdadeira causa da morte de Johnny Eduardo Pinnock foi um envenenamento por ingestão de {Ricina}.


Muitos não sabem o que é, pois bem procurem nos dicionários, Wikipédia e outras enciclopédias universais. A morte de Johnny Eduardo Pinnock está estreitamente ligada a um dos maiores escândalos político-financeiros da Republica francesa destes últimos vinte anos, o famoso caso ANGOLAGATE.


Angolagate para os mais jovens não quer dizer nada, uns até pensarão que é uma marca de chocolate, os mais velhos ouviram falar, mas como tratava-se de assuntos da política interna da França, nunca interessaram-se em procurar saber que verdades ou mentiras esconde este escândalo.

Não quero aqui ser Procurador, Juiz ou carrasco de ninguém neste caso, é verdade que na minha busca pela verdade e por este caso ainda estar nas mãos da justiça francesa no que toca a morte do meu pai, não seria justo eu escrever aqui a acusar e divulgar nomes dos supostos responsáveis.
Quero apenas partilhar convosco algumas irregularidades que foram aparecendo neste caso com o tempo.
 

  1. O falecido não teve direito a uma autopsia, por ordens superiores vindas de Luanda. O hospital teve que obedecer por tratar-se de um corpo diplomático. Tive acesso apenas aos resultados dos exames de toxicologia realizados pelo hospital e que afirma que "o paciente foi contaminado por uma substancia venenosa chamada Ricina por ingestão. "
  2. A agenda do Embaixador Johnny Pinnock que revela as identidades das pessoas recebidas em audiência pelo embaixador nas ultimas 24 horas antes da sua morte foi levada a Luanda numa mala diplomática por ordens superiores. 
  3. Quando a justiça francesa conseguiu identificar os misteriosos visitantes com a ajuda das autoridades belgas que tinham imagens gravadas da presença destas ilustres personalidades (Pierre Falcone, Arcady Gaydamak, Bernard Tavernier advogado do antigo ministro francês Charles Pasqua e representante de Jean Christophe Mitterrand, filho do antigo presidente francês François Mitterrand)  a entrarem na Embaixada, estas mesmas pessoas que eram todas de nacionalidade francesa, passaram de seguida a possuir passaportes diplomáticos da Republica de Angola com direito a imunidade jurídica. Um deles (Pierre Falcone) chegou até a ser nomeado como Embaixador representante de Angola junto a UNESCO. Para evitar que seja preso pelas autoridades francesas. Como foi possível tal coisa acontecer?  Por ordens superiores! 
  4. A Republica de Angola nunca tentou saber quais foram as causas da morte do seu Embaixador, ao contrario, protegeram as únicas pessoas que eram tidas até la com as únicas pessoas capazes de dizer quais teriam sido os termos do encontro que tiveram com o Embaixador. É de salientar que quando este encontro aconteceu, Jean Christophe Mitterrand o filho do antigo presidente tinha sido preso, e ameaçava divulgar nomes de generais angolanos que teriam recebido retro-comissões da ELF actual TOTAL pelos contratos de venda de armas de guerra à Republica de Angola. Depois da morte do Embaixador Pinnock que na altura dos ditos contratos era Secretario de Estado da Relações Exteriores para a Cooperação, o único testemunha capaz de dizer quem eram os franceses que participaram neste trafico era o general chefe da casa militar da Presidência da Republica de Angola.
  5. Angola rompeu relações diplomáticas com a França durante o tempo que durou o caso Angolagate. Chegando até a fazer pressão e ameaças de romper o contrato da petrolífera TOTAL se as perseguições jurídicas contra os dirigentes angolanos não fossem arquivadas, o contrato foi renovado pelo Presidente Sarkozy que deslocou-se em pessoa em Luanda e garantiu ao executivo angolano que as investigações contra os dirigentes angolanos seriam abandonadas e que o inquérito iniciado pela morte do Embaixador seria arquivado.  



       
 A Ricina segundo Wikipédia : http://pt.wikipedia.org/wiki/Ricina

Conclusão:
Espero que cada um faça a sua analise ponderada sobre as revelações aqui feitas... A morte do Nacionalista Angolano ainda não foi esclarecida, quem mandou matar? Porque? Isso tudo a justiça nos dirá brevemente.
Enquanto isso, deixo-vos com saudações calorosas.
Quem tem olhos para ver que veja, quem tem ouvidos para ouvir que oiça... 

 

Fonte: pinksblogfreenews.blogspot.f

 

 

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