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Portal da Damba e da História do Kongo

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15 de Março uma data polémica

Publicado por Muana Damba activado 16 Marzo 2014, 04:26am

Etiquetas: #Notícias do país

A Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) vai continuar a insistir junto das autoridades para que o dia 15 de Março seja feriado nacional.

De acordo com a Lei dos feriados, 15 Março passou como uma data de celebração nacional. Ao celebrar este sábado a data, a FNLA diz que “analisada a Lei, por iniciativa do MPLA, apercebe-se da elisão do 15 de Janeiro como feriado nacional”.

“Foi uma subtileza pouco feliz, porque, embora os dois momentos importantes, 4 de Janeiro e 4 de Fevereiro, tivessem sido protagonizados pela UPA/FNLA, foram efémeros e circunstanciados no tempo e no espaço, pois que nunca, por razões científicas e de autenticidade, poderiam ser denominadas início da luta armada de libertação nacional”, diz um comunicado da FNLA.

Segundo o documento, “a FNLA, co-fundadora e libertadora da Pátria, exige explicação pública detais desígnios sub-reptícios, para que se compreenda que se está perante a negação de um imperativo categórico ou coexistência e respeito do pluralismo democrático”.

“A acção do 15 de Março de 1961 não foi senão uma reacção aos 500 anos de barbaridade, torturas, palmatórias e humilhação dos angolanos pelos colonialistas portugueses”, refere a nota da FNLA.

A data em livro.

O casal de historiadores Dalila Cabrita e Álvaro Mateus publicou recentemente «Angola 61», que se debruça sobre o massacre de 15 de Março.

Entre as teorias apresentadas, os dois historiadores defendem que a chacina “não foi surpresa” e documentam-no. Por um colaborador enviado a Leopoldville, a PIDE informara: “Dentro em breve, explodirá na nossa terra de Luanda uma grande revolta, pois todos os naturais de Angola estão preparados para o assalto”.

Dois meses antes, um responsável da PIDE informara o “administrador da circunscrição e o comandante militar de que as actividades da UPA se tinham intensificado junto à fronteira” e indicava a data de 15 de Fevereiro de 1961 como provável para o ataque.

Dalila Cabrita e Álvaro Mateus especulam que também os colonos aguardavam um ataque: “Demonstra-o a compra maciça de armas. Angola importara, em 1960, 1953 toneladas, seis vezes mais do que em 1959”.

Quanto aos militares, acrescentam Cabrita e Mateus, também “tinham previsto o que iria acontecer. E Costa Gomes fez questão de assinalar que, “entre 1958 e 1961, não se tomaram medidas importantes para prevenir uma guerra no Ultramar, antes pelo contrário”. E “em 15 de Dezembro de 1960, o Comando Militar de Angola, pressentindo que algo grave poderia vir a acontecer, considerou necessário ‘intensificar missões de vigilância e de soberania’”.

Dois dias depois do massacre, os jornais de Angola publicavam um comunicado onde se lia: “Verificaram-se na zona fronteiriça do Norte de Angola alguns incidentes a que deve atribuir-se gravidade por demonstrarem a veracidade de um plano destinado a promover actos de terrorismo que assegurem, a países bem conhecidos, um pretexto para continuarem a atacar Portugal perante a opinião pública internacional. (…) Sabe-se que há a lamentar a perda de algumas vidas, mas não se conhecem pormenores”.

No livro «A Guerra de África 1961-1974», José Freire Antunes descreveu assim os acontecimentos ocorridos entre 15 e 18 de Março de 1961: “De madrugada, na FazendaPrimavera, perto de São Salvador, grupos de bacongos, empunhando catangas e canhangulos e julgando-se imunes às balas dos brancos, lançam uma ofensiva contra propriedades e povoações na zona de fronteira com o Congo, na Baixa de Cassange, até às cercanias de Vila Carmona. O Norte de Angola é avassalado por uma onda de bruta -lidade tribal, assassínios em massa, incêndios, destruições e rapina de haveres, violações de mulheres e crianças. Os tumultos espalham-se às plantações de café isoladas, aos postos de abastecimentos e às vias de transporte.”

A seguir, vários depoimentos mostram a violência do massacre: o “pai que fora espancado com as pernas do próprio filho morto a golpes de catana”; a “inacreditável barbaridade com que foram mortos alguns europeus, serrados vivos numa serra mecânica”, entre outros casos.

Os culpados são, escreve-se, “rebeldes que foram convencidos por feiticeiros de que podiam matar os portugueses sem perigo e que as terras e propriedades dos brancos ficariam para eles”.

Via Novo Jornal

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